Planejar a entrada do apartamento a dois exige somar caução, taxa de cadastro, primeiro mês, mudança e enxoval. Para alugar, total típico fica em R$ 17.000 a R$ 23.000; para comprar imóvel de R$ 400 mil em capital, em R$ 99.000 a R$ 104.000. Mapear isso antes evita tensão antes do contrato.
O que vem antes das chaves (se for alugar)
A garantia locatícia é o primeiro desembolso grande. A Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991, art. 37) lista quatro modalidades — e o contrato só pode exigir uma delas. Na prática, três aparecem na maior parte dos contratos:
- Caução em dinheiro — até 3 meses de aluguel, depositado em caderneta de poupança no nome do inquilino. Rende juros e volta ao final do contrato, se não houver débito ou dano. Costuma ser a mais vantajosa para quem tem esse dinheiro guardado.
- Fiador — um terceiro que assume a dívida caso o inquilino não pague. Sem custo mensal, mas cada vez mais difícil de encontrar: o fiador em geral precisa ter imóvel quitado no mesmo estado e aceita um risco real.
- Seguro fiança — pago mensalmente à seguradora, sem devolução ao fim do contrato. Costuma representar entre 7% e 12% do aluguel por mês e é exigido com mais frequência por proprietários que querem cobertura ampliada.
A quarta modalidade prevista em lei (cessão fiduciária de quotas de fundo de investimento) é rara no mercado residencial; quase sempre a escolha está entre as três acima.
Além da garantia, espere pagar no ato da assinatura: a taxa de cadastro (varia por imobiliária, pode ser isenta em negociação direta), o primeiro mês antecipado e, em muitos prédios, uma taxa de mudança — que vai de R$ 200 a mais de R$ 600 dependendo do condomínio.
Conta rápida (exemplo ilustrativo): aluguel de R$ 2.500 com caução de 3 meses mais primeiro mês adiantado equivalem a R$ 10.000 antes de pegar a chave. Com taxa de cadastro e mudança do prédio, R$ 11.000–12.000 não é improviso.
Onde vocês moram muda muito a conta
O valor do aluguel é o item mais sensível a cidade e bairro. Para ter uma base, o Índice FipeZAP de Locação Residencial publica o preço médio por metro quadrado em anúncios recentes. No informe de novembro de 2025 (último disponível ao fechar este texto), os preços médios nas capitais ficaram assim:
| Capital | Preço médio de locação (R$/m²) | Referência para 50 m² |
|---|---|---|
| São Paulo | 62,25 | ~R$ 3.100 |
| Rio de Janeiro | 54,40 | ~R$ 2.720 |
| Belo Horizonte | 48,61 | ~R$ 2.430 |
| Curitiba | 46,41 | ~R$ 2.320 |
| Porto Alegre | 44,08 | ~R$ 2.200 |
São médias de anúncios, não ofertas reais nos bairros de vocês: contratos já vigentes costumam ter valores menores, e endereços de alta demanda ficam acima da média. Em cidades médias e do interior, o R$/m² tende a ser mais baixo, embora as taxas de condomínio variem muito. O exercício útil aqui é pegar o preço médio da cidade, multiplicar pela metragem que vocês esperam — e só então aplicar a regra dos 3 meses de caução sobre esse número. Em São Paulo, 50 m² pede uma reserva de caução por volta de R$ 9.000; em Porto Alegre, a mesma metragem fica próxima de R$ 6.600. A diferença muda completamente o prazo da meta.
Se a opção for comprar
O cenário de juros em maio de 2026 — Selic em 14,50% ao ano, segundo o Banco Central, após corte de 0,25 ponto percentual em 29 de abril — segue deixando o financiamento imobiliário mais caro do que em ciclos anteriores. As taxas nominais nos principais bancos estão em torno de 10,5% a 12% ao ano mais TR, variando conforme relacionamento, renda e perfil de risco — a Caixa Econômica Federal oferece as faixas mais baixas para clientes com débito automático da parcela; taxa de balcão fica acima disso. Ao comparar propostas, peça o CET (Custo Efetivo Total), não só a taxa nominal — ele inclui seguros, tarifas e encargos que a taxa sozinha esconde.
Atualizado em 7 de maio de 2026: a Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% na reunião do Copom de 29 de abril. O texto deste parágrafo foi ajustado para refletir o novo patamar.
Dois desses encargos são obrigatórios em qualquer financiamento imobiliário no Brasil: o MIP (Morte e Invalidez Permanente), que protege o banco em caso de falecimento ou invalidez do mutuário, e o DFI (Danos Físicos ao Imóvel), que cobre danos estruturais ao bem financiado. Ambos são embutidos nas parcelas mensais — e o custo do MIP sobe com a idade do comprador. Para quem está acima dos 35 anos, a diferença no orçamento mensal pode ser mais relevante do que parece na simulação inicial.
Três pontos que mudam a conta a dois:
- Entrada mínima de 20% do valor do imóvel. Pagar mais reduz o peso das parcelas ao longo do financiamento, mas exige meta de poupança maior antes de comprar.
- FGTS. Pode ser usado para amortização ou composição de renda. Vale confirmar a situação dos dois antes de entrar nas simulações bancárias — os critérios de tempo de trabalho e saldo mínimo às vezes surpreendem.
- Minha Casa Minha Vida (Faixa 4). Para casais com renda familiar entre R$ 8.600 e R$ 13.000 por mês, o programa Minha Casa, Minha Vida do Ministério das Cidades prevê financiamento de até R$ 600 mil com taxas em torno de 10% ao ano. Não há subsídio direto no valor do imóvel, mas as condições ficam abaixo das linhas convencionais (11% a 12% a.a.) e sem atrelamento à Selic.
Além da entrada, comprar exige reserva para ITBI, escritura pública e registro em cartório, que podem somar de 3% a 5% do valor do imóvel dependendo do município — nas principais capitais, onde o ITBI sozinho costuma chegar a 3%, o total tende ao limite superior. Esses custos não aparecem na simulação do banco e costumam chegar de surpresa perto do fechamento.
Cenário ilustrativo — imóvel de R$ 400.000, entrada de 20%:
| Item | Estimativa |
|---|---|
| Entrada mínima (20%) | R$ 80.000 |
| ITBI (cerca de 3% em capitais) | R$ 12.000 |
| Escritura pública e registro em cartório | R$ 4.000–8.000 |
| Avaliação do imóvel pelo banco | R$ 3.000–4.000 |
| MIP, DFI e taxa de administração | embutidos na parcela mensal |
Só nesse recorte, vocês precisam ter por volta de R$ 99.000 a R$ 104.000 antes mesmo de pensar em mudança e mobília. Pagar entrada maior que os 20% costuma ser a decisão a dois que mais alivia o orçamento mensal no longo prazo — cada 5% adicional na entrada reduz visivelmente a parcela e o custo total dos juros. Em contrapartida, atrasa o dia da compra; é conversa para fechar antes de escolher o imóvel, não depois.
Depois que o valor da entrada estiver claro, a próxima conversa é escolher o tipo de financiamento. O guia sobre financiamento imobiliário a dois compara SAC, Price e MCMV sem misturar parcela inicial com custo total.
O que vem depois das chaves
Mudança, mobília básica e pequenas adequações costumam ser o segundo susto.
Para um apartamento de 1 ou 2 quartos, o serviço de mudança fica entre R$ 1.200 e R$ 3.000 (valores de abril de 2026), dependendo de volume, distância e acesso ao prédio. Embalagem e montagem contratadas separadamente somam mais R$ 800–1.200.
O enxoval básico — geladeira, fogão, cama, guarda-roupa, sofá, mesa — tem faixa de preço ampla conforme o padrão. O mais comum para um primeiro apartamento é comprar o essencial no começo e complementar ao longo dos primeiros meses à medida que o orçamento permite. É uma decisão que vale fechar a dois antes de entrar na loja, não em cima do carrinho cheio.
Alguns prédios também cobram taxas de instalação de gás e energia no ato da mudança, que não aparecem no contrato mas chegam junto com as chaves.
Como planejar isso juntos
A dificuldade de planejar o apartamento a dois raramente é matemática. É que um dos dois costuma chegar nessa conversa com mais clareza sobre os números — e o que deveria ser decisão compartilhada vira palestra. Quem ouve sai sem saber bem se concordou ou só concordou para acabar.
Um ponto que ajuda: fechar o valor-alvo antes de começar a pesquisar imóvel. Enquanto a busca está aberta, qualquer número parece viável. Com um alvo que os dois reconhecem como real e atingível, a pesquisa fica mais honesta — e a escolha final tem menos surpresa embutida.
Vale também separar o que entra na meta conjunta do que fica no orçamento de cada um. Caução, mudança e enxoval básico costumam ser custo da casa — portanto, meta compartilhada. O item que só um quer, o equipamento de trabalho novo — esses ficam em cada orçamento individual sem misturar as contas.
E o prazo: definam com base no que os dois conseguem guardar por mês de verdade, não no ideal. Um prazo honesto gera menos correção de rota no meio do caminho e menos conversa em tom de cobrança.
Se vocês ainda estão organizando o orçamento mensal para saber quanto sobra para essa meta, o guia como criar um orçamento conjunto sem brigar ajuda a montar essa base antes de definir qualquer número para o apartamento.
Uma estimativa de onde começar
Sem saber o valor do aluguel na cidade de vocês nem a modalidade de garantia, qualquer número aqui é orientação — não orçamento fechado. Mas para ter uma ordem de grandeza:
Cenário ilustrativo — aluguel de R$ 2.500, 1 ou 2 quartos, garantia por caução:
| Item | Estimativa |
|---|---|
| Caução (3 meses) | R$ 7.500 |
| Primeiro mês adiantado | R$ 2.500 |
| Taxa de mudança do condomínio | R$ 300–600 |
| Empresa de mudança | R$ 1.500–2.500 |
| Enxoval mínimo | R$ 5.000–10.000 |
O total antes de terminar o primeiro mês completo fica facilmente entre R$ 17.000 e R$ 23.000 — e ainda vale reservar uma margem para imprevistos. Não é para assustar, é para vocês terem o número real quando decidirem juntos o prazo e o ritmo de poupança.
Perguntas frequentes sobre planejar apartamento a dois
Quanto custa entrar em um apartamento alugado em 2026?
Para aluguel de R$ 2.500 com caução de 3 meses, a entrada total fica entre R$ 17.000 e R$ 23.000. Composição típica: caução (R$ 7.500), primeiro mês (R$ 2.500), taxa de mudança (R$ 300–600), mudança (R$ 1.500–2.500) e enxoval (R$ 5.000–10.000).
Quais as opções de garantia para alugar imóvel no Brasil?
A Lei do Inquilinato lista quatro modalidades; três são comuns no mercado residencial: caução em dinheiro (até 3 meses, devolvida ao final), fiador (terceiro com imóvel quitado, sem custo mensal) e seguro fiança (pago à seguradora, 7% a 12% do aluguel/mês, sem devolução). O contrato pode exigir só uma das modalidades.
Quanto preciso de entrada para financiar imóvel de R$ 400 mil?
A entrada mínima é 20% do valor do imóvel (R$ 80.000). Somando ITBI (~3% em capitais = R$ 12.000), escritura e registro (R$ 4.000–8.000) e avaliação do banco (R$ 3.000–4.000), o total antes de mudança fica em R$ 99.000 a R$ 104.000. Entrada maior reduz parcela e juros totais.
Quem ganha entre R$ 8.600 e R$ 13.000 entra no Minha Casa Minha Vida?
Sim, na Faixa 4: financiamento de até R$ 600 mil com taxas em torno de 10% ao ano. Sem subsídio no valor do imóvel, mas abaixo das linhas convencionais (11% a 12% a.a.) e sem atrelamento à Selic. Detalhes no portal do Ministério das Cidades.
Como dividir os custos do apartamento entre o casal?
A regra prática: custo da casa entra na meta conjunta (caução, mudança, enxoval básico). O que só um quer (equipamento de trabalho novo, móvel específico) fica em cada orçamento individual. Combinar isso antes da pesquisa imobiliária evita tensão na hora da compra grande.
Próximo passo
Quando o objetivo estiver claro, transformar isso numa meta com valor e data ajuda a tirar o peso do “quando será que a gente consegue”. O texto metas financeiras que fortalecem o relacionamento explica como montar esse objetivo sem que acompanhar vire cobrança.
No dividi, a meta do apartamento entra na Conta Conjunta com valor-alvo, data opcional e um resumo que os dois enxergam igual. Cada depósito guardado — seja o 13º de um, um freelance do outro ou o rateio mensal combinado — pode ser registrado como gasto associado à meta, e o progresso aparece no mesmo lugar para os dois. Serve para não depender de quem abre a planilha para saber quanto já foi juntado e quanto ainda falta. O passo a passo para criar metas compartilhadas mostra como nomear, escolher a conta e ajustar permissões.
Se vocês quiserem testar, baixem o dividi; os planos comparam limites e recursos por faixa. E se ainda não fizeram o passo anterior, o guia como criar um orçamento conjunto sem brigar ajuda a decidir, com calma, quanto sobra por mês para essa meta.


