A reforma do Imposto de Renda começou a valer em janeiro de 2026 e mudou quem paga o tributo na fonte. Para um casal, a conta é diferente: são dois salários, duas faixas e duas reduções calculadas separadamente. O que muda de verdade não é só pagar menos — é decidir, juntos, o que fazer com o dinheiro que deixou de sair.
Este texto explica como a nova regra trata cada renda, mostra os números oficiais da Receita Federal e ajuda vocês a transformar a folga do mês em algo concreto, em vez de deixá-la diluir no consumo. Não é consultoria tributária: para o caso de vocês, vale conferir no simulador da Receita e, se houver dúvida, com um contador.
O que mudou no Imposto de Renda em 2026
A Lei nº 15.270/2025, sancionada em 26 de novembro de 2025, criou uma redução do imposto que zera o IRPF para quem recebe até R$ 5.000 por mês e diminui de forma decrescente para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00. A própria Receita Federal resume as faixas para 2026: até R$ 5.000 a redução pode chegar a R$ 312,89, o suficiente para o imposto devido ficar zerado.
Três pontos ajudam a entender o desenho:
- Não é uma faixa nova na tabela. A tabela progressiva continua a mesma; o que entrou foi um desconto aplicado depois do cálculo, para anular ou diminuir o imposto nas rendas mais baixas.
- A conta é por pessoa. A redução olha o rendimento de cada contribuinte, não a soma do casal. Quem ganha R$ 4.500 tem o seu próprio resultado, independente de quanto a outra pessoa recebe.
- Acima de R$ 7.350 nada muda na redução. A partir desse valor, vale a tabela progressiva normal (7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%), sem o desconto extra.
A mudança vale para os rendimentos a partir de 1º de janeiro de 2026 e aparece já no contracheque do mês, no imposto retido na fonte.
Por que num casal são duas faixas, não uma
O erro mais comum é somar as duas rendas para descobrir “em que faixa o casal está”. O imposto de renda não funciona assim. Cada pessoa é um contribuinte, com a própria retenção na fonte e a própria declaração.
Na prática, isso quer dizer que dentro da mesma casa pode haver dois cenários ao mesmo tempo: uma pessoa que passou a não pagar nada e outra que continua pagando, só que um pouco menos. O efeito conjunto é a soma de duas histórias diferentes, e enxergar isso evita decisão injusta — por exemplo, achar que “o casal está isento” quando só uma das rendas está.
| Quanto a pessoa recebe por mês | O que a reforma faz | O que continua valendo |
|---|---|---|
| Até R$ 5.000,00 | Redução de até R$ 312,89, suficiente para zerar o imposto na fonte | Continua obrigada a declarar se atender aos critérios anuais |
| De R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00 | Redução decrescente, que diminui conforme a renda sobe | Paga imposto, porém menor que antes da reforma |
| Acima de R$ 7.350,00 | Sem redução extra | Tabela progressiva normal, como antes |
A leitura a dois fica mais honesta quando cada um sabe em qual linha está. É a mesma lógica de dividir as contas quando um ganha mais que o outro: rendas diferentes pedem contas separadas antes de qualquer combinação.
Quanto pode sobrar, com exemplos oficiais
Os números a seguir são exemplos publicados pela Receita Federal para aplicação da Lei 15.270/2025. Eles consideram só o desconto simplificado (R$ 607,20 no mês), sem dependentes nem outras deduções — por isso servem de referência, não como o valor exato de cada folha de pagamento.
| Rendimento bruto no mês | Imposto pela tabela | Redução da reforma | Imposto final |
|---|---|---|---|
| R$ 4.000,00 | R$ 114,76 | R$ 114,76 | R$ 0,00 |
| R$ 5.000,00 | R$ 312,89 | R$ 312,89 | R$ 0,00 |
| R$ 6.000,00 | R$ 562,63 | R$ 179,75 | R$ 382,88 |
| R$ 7.607,20 | R$ 1.016,27 | — | R$ 1.016,27 |
Repare no padrão: até R$ 5.000 a redução cobre todo o imposto e a pessoa fica sem retenção; em R$ 6.000 a redução já é parcial, mas ainda tira quase R$ 180 por mês; perto de R$ 7.350 a redução vai a zero. Para a faixa intermediária, a Receita usa a fórmula R$ 978,62 − (0,133145 × rendimento), com o resultado abatido do imposto calculado.
Exemplo ilustrativo de casal: imagine uma pessoa com R$ 4.500 e outra com R$ 6.000. A primeira passa a não ter imposto na fonte; a segunda economiza por volta de R$ 180 por mês em relação ao imposto cheio. Somando, a casa vê uma folga mensal na ordem de algumas centenas de reais — dinheiro que antes saía e agora fica. O valor exato depende de INSS, dependentes e outras deduções de cada um, então confirmem no simulador oficial da Receita Federal.
O risco de não decidir nada
Folga que ninguém combinou tende a sumir. Não some por má intenção: ela se espalha em pequenas decisões soltas — um delivery a mais, uma assinatura nova, uma compra que “cabia agora”. No fim do mês, o dinheiro que deixou de ir para o imposto também não foi para lugar nenhum.
A conversa difícil não é “vamos cortar”. É “para onde vai isso que sobrou”. E vale fazer cedo, porque o ganho da reforma é recorrente: aparece todo mês, e todo mês corre o risco de evaporar sem destino.
Em um país onde o cartão de crédito aparece em 85,4% dos casos de famílias endividadas, segundo a Peic/CNC, direcionar essa folga para reserva ou para abater dívida cara costuma render mais tranquilidade do que aumentar o padrão de consumo. A escolha é de vocês — o ponto é que ela seja uma escolha, não um vazamento.
Três destinos para a folga, sem brigar
A folga da reforma não precisa de um plano elaborado. Precisa de um destino claro e combinado. Três caminhos costumam fazer sentido para casal:
- Reserva de emergência. Se vocês ainda não têm um colchão, a folga mensal é uma forma indolor de construí-lo, já que é dinheiro que não fazia parte do orçamento antes. O guia de reserva de emergência conjunta ajuda a definir quantos meses guardar e onde deixar com liquidez.
- Abater dívida cara. Se há juros do rotativo do cartão ou um parcelamento pesado rodando, direcionar a folga para quitar acelera a saída e reduz o quanto vocês pagam de juros ao longo do tempo.
- Uma meta concreta. Viagem, entrada do apartamento, reforma. A folga vira uma contribuição mensal que aproxima o objetivo sem mexer no resto do orçamento.
O combinado importa mais que o valor. “A partir de fevereiro, o que sobrou do IR de cada um vai para a reserva até chegarmos a três meses de gastos” é o tipo de frase que transforma um ganho difuso em decisão que os dois conseguem explicar.
Como organizar a folga no dividi
No dividi, a folga do mês vira algo visível, não uma intenção. O caminho mais direto é criar uma meta na Conta Conjunta, com valor-alvo e data opcional, e tratar a contribuição de cada um como um gasto associado à meta — assim o progresso de quanto já foi guardado contra quanto falta fica claro para os dois.
Se a folga vai para o orçamento corrente em vez de uma meta, o Orçamento inteligente mostra os pilares Necessidades, Desejos e Poupança e Metas com status Saudável, Atenção ou Excedido — útil para ver se o dinheiro que sobrou está mesmo indo para poupança e não escorrendo para desejos. E o histórico da Conta Conjunta registra o que cada um lançou, sem que ninguém precise cobrar o outro.
Para começar:
- baixem o dividi e criem a Conta Conjunta com os dois;
- abram uma meta para o destino combinado (reserva, viagem, quitação) com valor-alvo;
- a cada mês, lancem a folga de cada um como contribuição e acompanhem o progresso juntos.
Se vocês ainda estão montando a base do orçamento, o guia de orçamento conjunto sem brigar ajuda a combinar as regras antes de abrir o app.
Perguntas frequentes sobre o IR 2026 para casais
Quem ganha até R$ 5.000 deixou de pagar Imposto de Renda?
Na retenção mensal, sim: a redução de até R$ 312,89 zera o imposto na fonte para quem recebe até R$ 5.000 por mês, conforme a Receita Federal. Isso não dispensa a declaração anual quando a pessoa se enquadra nas regras de obrigatoriedade.
O casal soma as rendas para saber se está isento?
Não. O Imposto de Renda é individual. Cada pessoa tem a própria retenção e a própria declaração, então é possível que uma esteja isenta e a outra continue pagando, mesmo morando juntas.
Quem ganha entre R$ 5.000 e R$ 7.350 também economiza?
Sim, com redução decrescente. Quanto mais perto de R$ 7.350, menor o desconto, até zerar. A Receita usa a fórmula R$ 978,62 − (0,133145 × rendimento) para essa faixa, abatida do imposto calculado.
A reforma muda quanto cada um contribui nas contas da casa?
Não diretamente. Ela muda o líquido que entra na conta de cada pessoa. Como isso afeta a divisão das despesas é uma decisão de vocês — se as rendas são diferentes, a divisão proporcional costuma ser mais justa que meio a meio.
Onde confiro o valor exato para o meu salário?
No simulador oficial da Receita Federal, que considera deduções como INSS e dependentes. Os exemplos deste texto usam apenas o desconto simplificado e servem de referência, não como o valor exato da sua folha.
Próximo passo
Façam uma conta simples esta semana: cada um confere, no simulador da Receita, quanto deixou de pagar por mês. Somem os dois valores e deem um destino a esse número antes que ele se misture ao resto do orçamento.
Para não perder a folga de vista, baixem o dividi e transformem esse valor em uma meta na Conta Conjunta, com valor-alvo e acompanhamento mês a mês. Se a ideia é guardar para imprevistos, o guia de reserva de emergência conjunta ajuda a definir o tamanho certo do colchão para a vida de vocês.


